Estilo em Dia Podcast: #5 Alta-Costura recheada de feminilidade
- Flávia Ivo | Editora-chefe

- 9 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
Decotões, corselets, corpetes, fendas, pele à mostra. Ainda há público para uma moda feminina recheada de feminilidade dentro de todos os conceitos culturais pré-definidos?
Bom, se nos basearmos pela Semana de Alta-Costura Outono-Inverno 2021-2022, que aconteceu de 5 a 8 de julho em Paris, a resposta é sim. Confira minha análise em mais um episódio do Estilo em Dia Podcast.
Eu poderia falar de várias tendências. E talvez eu fale em um post logo mais. No entanto, assistindo às apresentações de Paris, chamou minha atenção a quantidade de elementos tidos como símbolos da feminilidade, da mulher, do desejo, ou, melhor, do corpo feminino desejado, que apareceram nas coleções. E, por outro lado, elementos que remetem à fragilidade, também.
Da esquerda para direita: Ulyana Sergeenko, Georges Hobeika, Azzaro Couture e Giorgio Armani
Mulher insinuante ou frágil
Já há bastante tempo, a moda vem apontando para novas perspectivas sobre a questão de gênero e quebrando padrões relativos a peças do vestuário para esse ou aquele indivíduo. Nesse contexto, eu me perguntei: por que essa construção de mulher insinuante e/ou frágil vende e perdura geração após geração?
Em primeiro lugar, porque a imagem da mulher já foi culturalmente naturalizada. E, para isso, o papel da moda, dos acessórios e da maquiagem foi fundamental ao longo dos séculos.
Segundo, porque ainda temos uma imensa esmagadora maioria de estilistas homens, que por mais que tenham suas cabeças libertas de amarras, têm uma imagem projetada de mulher. Assim como toda mulher tem de um homem. Somos humanos, portanto, formamos opiniões.
Terceiro, porque nós mulheres fomos ensinadas a nos render aos encantos de coleções de moda que transmitem tais conceitos.
Estamos imersos e é difícil
É difícil mesmo, e eu confesso, não ficar deslumbrada com a coleção Azzaro Couture, com fendas altíssimas, um ombro só, recortes, transparências, e o brilho do prata e do preto. E, também, não entristecer em pensar que aquelas peças não foram projetadas para as chamadas "mulheres reais".
Azzaro Couture
Ainda, da russa Ulyana Sergeenko, e seus corselets, botas 7/8 e criações tipo dominatrix. De novo, vai tentar entrar numa roupa dessa pesando mais do que 50 kg...
Ulyana Sergeenko
Me impressionou também, sobremaneira, o desfile do libanês Zuhair Murad. Eu realmente gosto dele, acho as peças lindíssimas, e continuo achando. Mas, dessa vez, várias prendiam o caminhar das modelos, os saltos altíssimos fizeram as moças penarem na passarela. Foi incômodo assistir. Sou da opinião que roupa não deve incomodar. E essas certamente estavam incomodando.
E, na parte etérea, romântica, a coleção Giorgio Armani Privé, com tantos babados, rosés e outros tons de rosa, lilás, azulzinho, verdinho. Uma mulher para se casar, não é mesmo?
Giorgio Armani Privé
E, antes que venham dizer que estou sendo amarga, cringe, ou exagerada em uma análise de algo que está tão longe, que é a moda de luxo. Digo a você que se engana!
A moda de luxo tem influência direta no streetwear e, neste momento em que está aqui ouvindo o podcast de uma jornalista de Belo Horizonte, uma capital brasileira de pouco mais de 2 milhões de habitantes, já tem estilista no mundo inteiro vendo e revendo esses desfiles de que falei aqui e os outros para se inspirar para as próprias criações.
Georges Hobeika
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Um beijo e até mais!



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